Dados de 60 anos do Observatório Magnético de Tatuoca revelam resultados inéditos sobre a variação diurna do campo geomagnético no Brasil

Um recente estudo realizado por pesquisadores do Observatório Nacional, em parceria com cientistas de instituições estrangeiras, obteve importantes resultados sobre o eletrojato equatorial, extraídos de mais de 60 anos de dados do no Observatório Magnético de Tatuoca (TTB, Pará), operado pelo Observatório Nacional desde 1957. O trabalho foi publicado na revista Journal of Geophysical Research (JGR), uma das mais conceituadas da área.

Nos últimos 60 anos o deslocamento do equador magnético no Brasil foi o maior de todo o globo: 1100 km de deslocamento para o norte! Em consequência, o eletrojato equatorial nesta região gera uma amplificação da variação diurna 1 da componente horizontal do campo. O estudo mostra a forma e intensidade de como a variação diurna mudou no Observatório Magnético de Tatuoca-TTB, ao longo desses anos. Quando comparado a campos gerados por correntes de baixas e médias latitudes, o campo magnético em TTB mostra uma maior amplitude de variação, sofrendo influência das estações do ano e das oscilações atmosféricas.

“Recuperamos e processamos os valores médios horários da componente horizontal do campo geomagnético, de 1957 até 2019, o que nos permitiu investigar as mudanças de longo prazo na variação diária, que ocorrem devido a influência da variação secular, atividade solar, estação do ano e fase lunar”, explica Gabriel Soares, estudante de doutorado em Geofísica do Observatório Nacional, primeiro autor deste trabalho, sob orientação da pesquisadora Katia Pinheiro.  O estudo mostra que TTB registrou a passagem do equador magnético em 2013 e estas observações confirmaram, pela primeira vez características do eletrojato, antes só estimadas por modelos (como o TIEGCM). Os resultados de TTB também foram comparados com dados de satélites (CHAMP e Swarm).

Normalmente estudos sobre variação diurna utilizam series temporais relativamente curtas, de alguns anos. “A longa e contínua série temporal de TTB é inédita e permitiu uma análise mais abrangente indicando como e quando as características da variação diurna em TTB mudou de um tipo de variações calmas (Sq- Solar quiet) de baixas latitudes para o tipo determinado pelo eletrojato equatorial”, comemora a pesquisadora Katia Pinheiro, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, responsável pelos observatórios magnéticos do ON.

O artigo completo está disponível no link:
https://agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2020JA028109.